7 de julho de 2007

Dúvida

A dúvida é uma alternância entre um “sim” e um “não”, uma impossibilidade de nos “inclinarmos” para um dos termos da alternativa sem que o outro venha a disputar a primazia. Pois o “sim” e o “não” prontamente aceites como definitivos, eliminam imediatamente a dúvida. A mente em dúvida oscila entre um termo e o outro sem encontrar um ponto de equilíbrio, já que um termo é o oposto do outro, e não consegue “inclinar-se” mais para um, sem negar o outro. Quando isso acontece, já não está em dúvida! No instante em que afirma ou nega, já não está em dúvida. Mas a dúvida não acaba enquanto não responde a um requisito fundamental de veracidade…
Não posso duvidar dos meus conhecimentos sem os afirmar repetidamente, num ciclo vicioso de afirmações e negações sucessivas. Mas “não se pode negar sem afirmar a negação, sem afirmar portanto alguma coisa”. Então, aquilo que constato, é que há uma impossibilidade de descobrir o que quer que seja por uma via em cuja definição está contida uma autocontradição…
Descartes diz-nos: “Não posso duvidar de que duvido no instante em que duvido”, ou seja, a única certeza que tem, é que duvida no instante em que não tem a certeza!
A dúvida é uma dúvida por si só… Alguém me ajude nesta (auto) definição…

1 comentário:

Anitasb disse...

Eu posso-lhe ajudá...Se não fosses tantas vezes à quinta, respirar o ar puro da natureza já não tinhas essas dúvidas, deve ser do pólen que anda no ar, ou isso ou vinho, agora fiquei na dúvida. Mas ver a tua evolução na escrita, é de facto, aconchegador, antigamente escrevias coisas simples, sobre a Bóbiatriz, cantinhos astrológicos e afins e toda a gente (milhões de leitores daquele blog "aRENDAndado") percebia, ou se calhar erámos um bocadinho parvas, já estou na dúvida outra vez. Parece que vais ter de ligar para o apoio a clientes da Vodafone.