16 de novembro de 2007

A Incompetência do Hélder Guimarães


"Todas as manhãs desperto de um sono profundo. (Quer dizer, algumas destas manhãs são tardes. E nesses casos, o sono é mesmo profundo.) E, quando acordo, penso logo: “Qual seria a minha mensagem para salvar o mundo?” (Na verdade, o primeiro pensamento é: “Devia pintar o quarto de branco.” Sim, é verde alface.) Para responder a uma questão filosófica, nada melhor que um espectáculo de treta. “Incompetente” mostra a beleza de um mundo com burocracias, impostos, regras e livros de reclamação, tudo isto + IVA.Mais uma lição de vida por Helder Guimarães, o incompetente Campeão do Mundial de Magia. Afiem o lápis, tragam os livros e aprendam de uma vez por todas: “Tire a senha e espere a sua vez.”"
Clap Clap Clap once again
Parabéns, Parabéns e... Happy Birthday!!

The John Scofield Trio plus Horns “This meets That”

John Scofield Guitarra
Steve Swallow Contrabaixo
Bill Stewart Bateria


Phil Grenadier Trompete e Flugelhorn
Eddie Salkin Saxofone Tenor, Flauta e Flauta Alta
Frank Vacin Saxofone Barítono e Clarinete Baixo



Mais uma vez, no Centro Cultural Vila Flor

Fui à Lua e voltei!




Best of: Who knows what's going on (behind closed doors)

Bucket

Um balde divide o mundo. Havendo um balde, há o que está dentro e o que está fora. De pernas para o ar é um banco. Com um pé dentro é um gag antigo. Empilhados uma torre. Numa loja de cristais é um erro, na construção civil uma constante, se tiver um furo é inútil, se tiver muitos, dependurado num ramo de árvore, é um chuveiro. Há baldes que são dois, meio balde de detergente, meio balde de água limpa. Alguns têm tampa, outros têm rodas, quase todos têm asas. Transportam água, guardam o leite e um balde foi á lua e voltou cheio de pedras lunares. Um balde é também um bom ponto de partida para as histórias que se querem contar.

Querem melhor??


Texto e encenação Ricardo Alves
Interpretação Daniel Pinto, Ivo Bastos e Rodrigo Santos


28 de outubro de 2007

Maratona de Nova Iorque

Quem diria, que ao entrar no pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor, iria deparar-me com o Mário (Rodrigo Santos) estatelado no chão e o Simão (Hélder Guimarães) cheio de energia e preparadíssimo para treinar para a Maratona de Nova Iorque?...
Um, com a pica toda e outro, sem pica nenhuma.
Uma corrida, que em 60 minutos de peça, durou 50... (Aplausos!).
Uma corrida de amigos, de irmãos.
Um objectivo, que no final se transforma.
Uma surpresa e boa!

Impecável...



Maratona de New York de Edoardo Erba
Tradução Clara Rowland
Encenação Jonathan Humphreys
Com Rodrigo Santos e Hélder Guimarães
Cenografia, adereços e figurinos Fabrice Serafino
Iluminação Pedro Carvalho
Som e Música Pedro Pires Cabral
Assistência de encenação Ricardo Correia
Oralidade José Eduardo Silva
Produção executiva A Oficina

23 de outubro de 2007

19 de outubro de 2007

Helder Guimarães

Clap clap clap para mais um "Intervalo" do Sr. Mágico e aqui vai um pequeno grande bónus...


Xaraaaan!!

14 de outubro de 2007

11 de outubro de 2007

"The Inner Life of Martin Frost" de Paul Auster

"David Thewlis (Martin) e Irène Jacob (Claire), em "A Vida Interior de Martin Frost"
Martin Frost (David Thewlis) é um escritor de sucesso que acaba de publicar um livro e decide tirar um tempo de descanso numa casa de campo. No primeiro amanhecer descobre, espantado, uma mulher misteriosa e admirável (Irène Jacob) deitada a seu lado. Fascinado pela beleza e pela inteligência da mulher, Martin apaixona-se por ela. Tinha encontrado a musa que haveria de levá-lo a escrever a sua obra mais perfeita.Mas quem é esta estranha mulher que conhece na perfeição a vida e o trabalho dele? Será ela realmente uma musa? Será pura imaginação? Será um fantasma que de mansinho se infiltrou na vida interior de Martin Frost?"

Realizador: Paul Auster
Elenco: Sophie Auster, Michael Imperioli, Irène Jacob e David Thewlis
Produtor: Paulo Branco e Paul Auster

8 de outubro de 2007

Clases de Español

El cenicero de Secília es de color azul cielo.



El perro de San Roque no tiene rabo porque Ramón Ramirez lo ha cortado.



São estas coisas que nos metem na cabeça, pah!...







P. S. - Parabéns ao macaquinho mai' lindo do mundo!! Bien venido cassulinho...

6 de outubro de 2007

Real Gana Assoc. Rec.


Ontem, em mais uma noite de actuação da Real Gana Assoc. Rec., na Tertúlia Castelense, vieram-me as lágrimas aos olhos e inícios de cãibras na traqueia e músculos abdominais de tanto rir. Os meninos estavam inspiradíssimos e cheios de vida!! Desde o ketchup associado a Salazar (muito bom, por sinal!!), à análise do humor que os legumes provocam, à Susana que não era suposto saber que o cão que tinha sido morto à paulada, às instruções do Un Braw (tão difícieis de conseguir), o número 57... etc etc etc. Para quem conhece, ainda bem. Para quem não conhece, que "se ajeite" porque estes meninos são pequenos diamantes por lapidar e até ao próximo espectáculo, mãozinhas inquietas, olhinhos abertos e ouvidos atentos. "Ahpoijé"... É que se não o fizerem, vocês próprios poderão tornar-se uma vítima da Real Gana Assoc. Rec., e nesse caso, só terão que aguardar as graves consequências...


Um bem haja à Real Gana Assoc. Rec. e à Tertúlia Castelense. Espero visitar-vos brevemente.

4 de outubro de 2007

Periclitâncias

O que faço a alguém que pode interferir negativamente na minha vida?....

... Posso cortar-lhe o pescoço?!?!?

... Bah...

2 de outubro de 2007

1 de outubro de 2007

Humor à Mr. H

missEd: Já não me lembro o que é comer gomas...
Mr. H: O que são gomas?!

30 de setembro de 2007

Immigrant

Also heavily advertised in the local newspapers in Delhi
That they are encouraging for people to come down here and work.
And then we went to the embassy and they showed us Kew Garden pictures
and pictures of the various parts of England,
That it is all that beautiful and everything is just right
And that’s what we just applied for the voucher.

You burn my flame within your hands
You know when my destiny falls
This time has insecurity
I feel, makes me restless inside

Will you take me there
To a distant place I’ve never been before
I could leave this world
I could follow you like oceans to the shore
You could take me there
Make the rivers of my mind flow to my dreams

You hold your secrets from my eyes
You see where the furthest rain falls
The day breaks over in the streams
You know where my rivers will flow

Will you take me there
To a distant place I’ve never been before
I could leave this world
I could follow you like oceans to the shore
You could take me there
Make the rivers of my mind flow to my dreams

And I dream of places far from here
And I call your name into the wind
And I wish the night would take me to another world
Where no one knows a face or asks your name

Will you take me there
To a distant place I’ve never been before
I could leave this world
I could follow you like oceans to the shore
You could take me there
Make the rivers of my mind flow to my dreams

Make the rivers flow

Immigrant, Beyond Skin, Nitin Sawhney

28 de setembro de 2007

Royal Straight Flush


Parabéns mushi!!

Eu sei, eu sei... não é dia 25 e a missEd merecia uma porradinha por ter "retardado o dia em que se lembrou" do aniversário da mushi....

Já foi o telefonema, mas aqui te presto a minha humilde homenagem.
És uma constante no meu pensamento.

Parabéns a você... :)

24 de setembro de 2007

Diz que vou ter que...

... organizar o horário de trabalho com o patraozinho em função dos espectáculos que "andem aí" este próximo mês...

... aprender técnicas raras de manipulação.

Libertinices

O LIBERTINO PASSEIA POR BRAGA, A IDOLÁTRICA, O SEU ESPLENDOR (1970)

Outubro, 15. Noite em Vieira do Minho friorenta e agitada por pesadelos, incongruências, palpitações. Já de madrugada, O Mensageiro das Trevas aparece-me na cama, agarra-me quase ao colo com os seus dedos de aço nos braços e diz-me baixo, numa voz irónica mas simpática (ou cínica e trocista?): "Ontem (referência, parece, a um sonho meu da véspera, em que me surgira A Morte, com a sua caveira comum, de dentuça à mostra, cara desgraçada!), ontem viste-me com a minha triste cara verdadeira, hoje venho alegre (a face dele era uma máscara apalhaçada, coberta de giz) mas é para te dar uma má notícia, coitado:

AMANHÃ MESMO MORRERÁS!



(...)

Mas passam por mim duas miúdas: uma, grande cu descaído, badalhoca de cara, trouxa de carne a dar às pernas - é a que me tenta; outra, muito compostinha no trajar, casaco preto, saia branca ou creme, muito viva, muito espevitada. Atiro pontaria na badalhoca, a ver se avanço depressa o negócio, jogando no ganha-perde da beleza física e no cálculo das probabilidades dos complexos das feias. Vou-as seguindo, de rabo alçado como um garanhão, e a gorduchona já me topou. Olha para trás, por vezes. Já comunicou à parceira. A andar, a andar, chegamos a uma espécie de logradouro público, com certo ar antiquado e bancos largos de pedra, onde finda a linha dos eléctricos para o estádio (vejo o nome, Estádio 28 de Maio, oh a Política!, ah! ah!, isto só em Braga). Mas agora o grupo das meninas complicou-se: entrou por ali uma velha gorda, e inútil, e naturalmente sabichona e danada por invejar o prazer dos outros como é próprio de velhas; com ela, e tão empatas como ela, duas estúpidas de duas garotitas, broncas e também inúteis para questões de sexo. Sento-me num banco e faço de grão-senhor, porque assim disfarço as calças rotas no rabo. A miúda mais bonita dá-me uma chance? (será isso?). Atira-se a dizer: "Eu sento-me já aqui", e vem toda lampeira para o meu banco, mas depois passa ao do lado. Manobra provocatória, mas feita por uma quase amadora? assim o entendi, e lanço-lhe uns olhares de desfazer pedras, o meu olhar mágico, de megatoneladas de cio (assim penso, mas com as 17 ou mais dioptrias e o estigmatismo e as lentes, e as clarabóias do verde, que olhar será o meu?). A trupe das estúpidas, porém, escolhe um banco lá pro fim e depois ficam todas sentadas e de costas umas para as outras e caladas. Domingos divertidos passam estas raparigas em Braga! quase tanto como o V.S. a preparar as suas petições para o ministro limpar o rabo a elas. Crio fastio de posar ao grão-senhor, distraído e benevolente com a paisagem. E começo a deambular, de árvore para árvore, e vou comprar castanhas ao cimo duma escadaria porque as duas miúdas broncas para coisas de entre-pemas vieram também ali abastecer-se; o meu fito era chegar à fala com elas e daí às mais graudinhas. Começo a comer castanhas e fico raivoso - ou embuchado? Escrevo então dois bilhetinhos (de que desculparão o estilo parvóide: nestas coisas de engates de miúdas e, até, de graúdas, segundo opinam os entendidos, quanto mais estúpidas as declarações de amor mais resultadodão, aqui a intenção, a sugestão é tudo), em folhas arrancadas da agenda, assim: Preciso muito de falar consigo, diga-me o seu nome e morada; outro, assim: Lambia-te toda, desde as maminhas até ao pipi. Verás que gozo, é melhor que bom, em linguagem infantilizada, a ver se pega. Amachuco-os até caberem numa bolinha dentro duma casca vazia de castanha, que guardo na algibeira da blusa, ao lado da bolota que me caiu em cima dos ombros esta manhã e considero um talismã... ora agora aqui se podem rir da minha infantilidade, mas olhem que vi O Mundo a Seus Pés. Viram ? A castanha amorosa é para mandar à gorducha ou à outra, a tal compostinha, isto se chegarmos à fala, do que já começo a duvidar; sinto que estou a perder tempo (como o outro tonto, a redigir petições sinceras) e precipito os acontecimentos. Aproximo-me do banco delas e faço um jogo declarado de olhares furiosos, de cem megatoneladas, para a gorducha lorpa, que é a que me deita as trombas de frente; a outra, a sagaz, está de costas. A velha topa-me ou é informada (porque há gente capaz de tudo, seria alguma das miúdas ou das brutinhas primárias?), e resolve arrecadar o rebanho para casa. Vou-as seguindo a distância, e pelo caminho inda catrapisco umas malfeitonas que andam a saber o seu Destino numa maniqueta chegada da América que diz se o que se tem no pensamento sairá certo ou errado, e dá uma sina disparatada a cada cliente, tudo por dez tostões (esqueci-me de dizer que no caminho para lá, para o repouso ao pé do estádio, a miúda gira tinha ido consultar a maquineta, muito azougada e preocupada com o seu futuro, e foi aí, até, que reparei como era vivaz e um tanto parecida (ou não seria ilusão minha?), nos modos e cabrice, com a Geninha. Começo a ver que, com guardiã à perna e saloias até mais não, destas fulanas não levo nada. Preparo uma vingança digna dum Libertino nos domingos sonolentos de Braga. Elas vão ao fundo da avenida; então, chamo um puto com cara de esperto: "Eh pá, queres ganhar uma croa? (eu tinha só três) sim, senhora! atão, entrega esta castanha àquela menina que vai ali, de casaco preto e saia branca. Mas de modo que ninguém veja...". O puto desata numa corrida e eu atravesso logo para o outro passeio, como o bombista que se afasta dos estilhaços que ele próprio provocou. Anarquismo minhoto!


in O libertino passeia por Braga, a Idolátrica, o seu esplendor (1970), Luiz Pacheco (1925-)

23 de setembro de 2007

Certainly not me

Who gave u permission to rearrange me
Certainly not me
Who told you that it was alright to love me
Certainly not me

I was not looking for no love affair
And now you wanna fix me
I was not looking for no love affair
And now you want to mold me
Was not looking for no love affair
Now you wanna kiss me
Was not looking for no love affair
And now you wanna control me

Hold me
Youre really trying to get creative with me love
And thats alright, but
You tried to get a little tricky turned my back
And then you slipped me a mickey.

The world is mine
When I wake up
I dont need nobody telling me the time

Certainly, certainly, certainly not me

Who gave u permission to rearrange me
Certainly not me
Who told you that it was alright to love me
Certainly not me
I was not looking for no love affair

Certainly, certainly, certainly not me

Erykah Badu, Baduizm

21 de setembro de 2007

How to Cope With Death

Ignacio Ferreras

Queria...

... um picote de papocas!!

20 de setembro de 2007

Saudade

Hoje sinto saudade.
De um período, de um sítio, de um jogo, de um ritual, de uma tentativa fotográfica, de um grupo de pessoas incríveis, de uma caipirinha, de um puzzle, do tempo livre, de uma Paz por vezes invadida, de uma história que nunca se vai repetir mas que sempre vai perpetuar.
Foram laços que nunca vão ser cortados.
Foram beijos que nunca mais vão ser dados.
Foram amigos que por magnetismo se atrairam.
Sítios que pela beleza se visitaram.
Música... A música levada à exaustão.
O bom viver levado ao clímax.
A vida na sua mais subtil perfeição.

19 de setembro de 2007

Seria algo desesperador, se caminhasses numa planície, com a agradável sensação de estar a avançar, quando na verdade retrocedias. Como porém escalavas uma encosta abrupta, bastante inclinada, conforme por ti mesmo vista de baixo, a causa do retrocesso bem poderia ser devido à disposição do terreno. Não deves desesperar.

Franz Kafka (1883-1924)

Volkswagen

18 de setembro de 2007

17 de setembro de 2007

Pioravante marche

Aquilo levanta-se. O quê? Sim. Dizer que se levanta e fica de pé. Teve de se levantar por fim e ficar de pé. Dizer ossos. Ossos nenhuns mas dizer ossos. Dizer chão. Chão nenhum mas dizer chão. De modo a dizer dor. Mente nenhuma e haver dor? Dizer que sim que os ossos podem doer até não haver alternativa senão levantar. Dalgum modo levantar e ficar de pé. Ou melhor pior restos. Dizer restos de mente onde nenhuns para permitir a dor. Dor dos ossos até não haver alternativa senão levantar e ficar de pé. Dalgum modo levantar. Dalgum modo ficar de pé. Restos de mente onde nenhuns só para a dor poder haver. Aqui dos ossos. Outros exemplos se preciso for. De dor. Alívio de. Mudança de.

Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Mas nunca tão falhada. Pior falhada. Com cuidado nunca pior falhada.

Luz obscura origem desconhecida. Sabe-se o mínimo. Não não se saber nada. Seria esperar de mais. Quando muito o mínimo dos mínimos. Maximamente menos que o mínimo dos mínimos.

Não haver alternativa senão ficar de pé. Dalgum modo levantar e ficar de pé. Dalgum modo ficar de pé. Ou isso ou gemer. O gemido que de longe tão longo vem. Não. Gemido nenhum. Dor simplesmente. Levantado simplesmente. Um tempo para tentar como. Tentar ver. Tentar dizer. Como a princípio esteve deitado. Depois de algum modo se ajoelhou. Pouco a pouco. E em diante a partir daí. Pouco a pouco. Até se levantar por fim. Não agora. Agora falhar melhor pior.

Um outro. Dizer um outro. Cabeça afundada em mãos paralisadas. Vértice vertical. Olhos cerrados. Sede de tudo. Embrionária de tudo.

Isto não tem futuro. Infelizmente tem.

Samuel Beckett (1906-1989)

11 de setembro de 2007

Eu não sei aquilo que quero


mas sei aquilo que NÃO quero.

10 de setembro de 2007

Quem comeu...

... a mousse de chocolate que ESTAVA no frigorífico hoje à hora do almoço???

... dias complicados...

7 de setembro de 2007

O Caderno Vermelho - 6

Na mesma ordem de ideias, embora abrangendo um período de tempo muito curto (alguns meses em vez de vinte anos), um outro amigo, R., falou-me de um livro marginal que ele tentava localizar sem sucesso, esquadrinhando livrarias e catálogos à procura daquilo que devia ser uma obra admirável que ele ansiava ler; e contou-me como, uma tarde em que fazia o seu caminho pelo centro da cidade, tomou um atalho para a Grand Central Station, subiu o lanço de escadas que levava à Vanderbilt Avenue, e viu de repente uma jovem ao lado do friso de mármore com um livro à frente dela: o mesmo livro que ele tão desesperadamente tentava encontrar.
Embora não tivesse por hábito dirigir a palavra a desconhecidos, R. estava demasiado atordoado pela coincidência para ficar calado.
«Acredite ou não», disse à jovem, «tenho andado à procura desse livro por toda a parte».
«É maravilhoso», respondeu a jovem, «acabei agora mesmo de o ler.»
«Sabe dizer-me onde poderei encontrar outro exemplar?» perguntou R. «Não consigo explicar-lhe o que isso significaria para mim.»
«Este é para si» respondeu a mulher.
«Mas é seu» replicou R.
«Era meu,» disse a mulher «mas agora já acabei de o ler. Vim aqui hoje para lho dar.»

Paul Auster (1947)

30 de agosto de 2007

Loucos e Santos



Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquetipo qualquer, mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não me interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos.

Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles nao quero respostas, quero o meu avesso.

Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco.

Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.

Não quero só o seu ombro ou colo, quero também a sua maior alegria.

Amigo que nao ri comigo, nao sabe sofrer comigo.

Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.

Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia nao desapareça.

Nao quero amigos adultos nem chatos.

Quero-os metade infância e metade velhice.

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.

Pois vendo-os loucos e santos, disparatados e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde (1854-1900)

25 de agosto de 2007

Parabéns miss J.

Fez ontem 24 anos que boneca nasceu e 1 ano que a boneca partiu para o Japão. Felizmente já está quase quase a chegar e espero que pronta e a postos para receber uma larga dose de mimo!

I'm a charity fucker

Stowaways

23 de agosto de 2007

Ultimatum Futurista

ÀS GERAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉC. XXI
Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os "botas de elástico"!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!


J o s é d e A l m a d a N e g r e i r o s

P O E T A
F U T U R I S T A
E
T U D O
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo!
O país mais selvagem de todas as Áfricas!
O exílio dos degredados e dos indiferentes!
A África reclusa dos europeus!
O entulho das desvantagens e dos sobejos!
Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Dantas! Morra! Pim!
José de Almada Negreiros
P O E T A DE D'ORPHEU
F U T U R I S T A
E
T U D O
1915
in Manifesto anti-Dantas - Basta pum basta

Micas

A Micas caiu no percurso da minha vida no dia 10 de Janeiro de 2007. Não apareceu a voar, como é óbvio, mas foi atropelada. Saía eu do meu trabalho, ansiozinha por chegar a casa, quando vejo o animal parado mesmo no meio da via de rodagem da Avenida da Boavista, e decido parar, em plena hora de ponta, já de noite e com um frio de rachar! Quatro piscas, pára tudo, que aqui a Super missEd vai tentar tirar o animal da estrada! É certo que nessa altura ainda não me tinha apercebido das condições em que a pobre critura estava, porque mal parei o carro, o animal rastejou para trás da roda da frente, dificultando ainda mais a minha tarefa. É que além de tudo, tenho uma bruta de uma alergia ao pêlo de gato! Ou seja, um trânsito descomunal, um tempo de bater os dentes, um gato por baixo do carro e a iminência de um ataque de espirros, olhos vermelhos e comichões por todo o lado... Not good...
Feliz ou infelizmente (ainda hoje não sei) vieram em meu auxílio. Uma mulher, a miss V., "miss" porque já era divorciada (e quem precisa de saber isso?) e tinha "a filhota no carro sozinha à espera", incutindo-me a missão de salvar o animal, assegurando-me que posteriormente lhe "arranjaria um lar".
Então missEd que nunca lidou com gatos, nunca confiou em gatos, nem nunca lhes passou cartão, embrulha o animal na sua bata e parte em busca do "veterinário aberto às 20h"... Lá passou quatro dias e quatro noites.
De cada vez que entrei na clínica ia com a certeza de que ia pedir para acabar com aquele sofrimento, mas o incrível é que sempre que eu lá chegava o animal melhorava um pouquinho. E sabem que mais? O amor e o carinho curam sim! A gata recuperou totalmente, afeiçoou-se a mim e posteriormente aos meus (porque a miss V. obviamente que se cortou), já tem um namorado, um gato preto enorme chamado Fritz, trepa bogambílias, é uma miss à maneira. Eu pelo outro lado, curei-me das alergias. E esta, hein?

20 de agosto de 2007

1095

o verdugo está cabisbaixo sumido em mui profundas especulações o taxidermista florião pele de coelho ex-aluno dos jesuítas leu em voz alta uma das conclusões da informação estatística do departamento de biometria do instituto de saúde mental para os ee. uu. o adúltero que vive com a esposa é menos propenso a precisar de tratamento clínico psiquiátrico do que o adúltero que vive sozinho e não tem quem lhe seque as costas ao sair do duche o homem é animal muito delicado e frágil e a mulher obstina-se em idealizá-lo é uma velada forma de homicídio

in Ofício de Trevas 5, 1973, Camilo José Cela (1916-2002)

18 de agosto de 2007

CD "móbile" do mês

Nitin Sawhney - Beyond Skin

As músicas de Beyhond Skin passeiam-se pelo hip-hop, étnico, drum'n'bass, r&b/jazz, acompanhadas por grandes vozes. Um medley contemporâneo lindamente conjugado com boas letras.
Para bom entendedor, meia palavra basta...

17 de agosto de 2007

Every existing thing

is born without reason,
prolongs itself out of weakness,
and dies by chance

in Nausea, New York, 1964, Jean-Paul Sartre (1905-1980)

12 de agosto de 2007

Coca Cola

Os PARABÉNS ao meu maninho, que foi o 2º melhor a nível nacional, em termos de quantidade e volume de promoções da Coca Cola... Já cheira a promoção e pelos vistos a uma viagem a Nova Iorque para duas pessoas...
Quem pode, pode!

You give a little love and it all comes back tou you, la la laa la-la la la laa

8 de agosto de 2007

D-O-M-I-N-G-U-E-I-R-O-S toda a semana

Hoje para contrariar, fui à prainha. Cheia de vontade, visto o biquini, calço o chinelinho, pego na toalha, no guarda-sol e no chapéu. Pé no acelerador e siga! Quando de repente, sou obrigada a parar por uma multidão de gente e de carros até perder de vista... Ocorre-me "Pois é... Estamos em pleno Agosto!".
Há várias razões para a minha "perplexidão". Em primeiro lugar, o tempo chuvoso que esteve nos meses de Junho e Julho... Andava tudo maluco com as mudanças de temperatura! O "sol" e a "chuva" devem ter feito qualquer tipo de aposta ou brincadeira, para ver que tipo de efeitos iriam surtir nas pessoas. "'Bora lá fazer um braço de ferro" ou um jogo de setas ou um joguinho de poker. Quem perder, amanha trabalha! E o povo que se lixe...
Depois, uma pessoa começa a trabalhar, e perde completa noção de estar num período (e clima) em que normalmente estaria de férias... É que nem nos dias da semana se safa! No mês de Agosto, simplesmente não há dias úteis na praia (nem em lado nenhum). É sempre fim-de-semana, portanto há sempre domingueiros.
É muito bonito viver perto da praia, mas "raisparta" os domingueiros e a velocidade inferior a 50 Km/h! Não se admite que leve 45 minutos a percorrer um caminho que, por norma, se faz em 10! Adoro o Verão, adoro a praia e não sou xenófoba, mas é mesmo preciso aclamar a santidade da paciência para aturar tal fenómeno!!
Enquanto isso, vemo-nos no Palácio de Cristal ou no Parque da Lavandeira e aí sim, "fica tudo bem com as pessoas"!

7 de agosto de 2007

6 de agosto de 2007

Ricardo Leite na Tertúlia Castelense

Não podia deixar de revelar esta pérola que encontrei no you tube! Eu estive lá :)

Life On Mars

Quando as coisas do coração
Não conseguem compreender
Minha mente não faz questão
E nem tem forças para obedecer
Quantos sonhos já destruí
E deixei escapar das mãos
Se o futuro é se permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor, não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte

Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida
Então vem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars

Quando coisas do coração
Não conseguem compreender
Ou que a mente não faz questão
Nem tem forças para obedecer
Quantos sonhos já destruí
E deixei escapar das mãos
Se o futuro é se permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor, não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte

Então vem cá, me dá a sua língua
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Seu poder vem do sol
Minha medida
Então vem, vamos viver a vida
Meu bem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars

3 de agosto de 2007

2 de agosto de 2007

Salvador Dali


Sendo eu agora uma menina trabalhadora, há que aproveitar a "folga".
Nunca gostei muito da palavra "folga" (f-o-l-g-a... não soa bem e é feia) mas desconheço outro termo que melhor se adeque, já que a "folga" tem um "pré conceito" adjacente, e para mim negativo, que significa que só tens UM dia livre por semana...
(As reticências enfatizam a minha reticência em relação a este assunto...).
Quando digo ou ouço a palavra "folga" vejo, com sentimento de tortura, passar-me à frente dos olhos o slide show de todos os preciosos fins de semana pelos quais passei e que apesar de já os valorizar na altura, agora valorizo ainda mais...
Continuando... Lá fui eu aproveitar a minha "folga" que calhou exactamente na inauguração da exposição de 285 obras de Salvador Dali, no Palácio do Freixo! Recomendo a visitinha e não há desculpas para ninguém. Crianças até aos 12 anos não pagam. Clientes da CGD, estudantes e adultos com mais de 65 anos pagam 2 míseros euros. Os restantes pagam 4 euros. Dura até 4 de Novembro, entre as 10:00 e as 22:00, e de sexta a domingo (incluindo feriados) das 10:00 às 24:00. O Palácio está restaurado e bonito. No percorrer das salas, entre os desenhos, esculturas e quadros originais, podemos sempre dar uma espreitadela pelas janelas e varandinhas com vista sobre o Douro. Entre todas as esculturas houve uma ou outra que me prenderam (mais) o olhar, "Gala Grádiva", "Elefante Cósmico" e "Dragão/Cisne/Elefante". Fora das minhas expectativas, os desenhos que mais me chamaram a atenção foram algumas litografias de um total de 150, num dos trabalhos gráficos mais destacados de Salvador Dali, a "Bíblia Sagrada".
À saída fui muito bem recebida por um solzinho maravilhoso e cerca de 20 puffs coloridos preparadinhos para missEd relaxar a pernoca. Ui ca bom!

"Situações" tristes...

- Será necessário o comentário?
-...
-Bem me pareceu.



1 de agosto de 2007

Existencialismos

foto by missEd

O homem é tão somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se concebe após a existência, como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo.

in L’Existentialisme est un Humanisme, Les Éditions Nagel, Paris, 1970, Jean-Paul Sartre (1905-1980)

27 de julho de 2007

Hoje vamos todos...


... fazer o que nos der na Real Gana!!!

E a que horas?
Às 23.30...

E onde?
Não... não é no Farol! É (e como não podia deixar de ser) na Tertúlia Castelense...

Oh yeah

17 de julho de 2007

First Day

Hoje foi o meu primeiro dia de estágio. Ouvi coisas como: “hmmm!… Estamos a fazer o inventário e extremamente ocupados, vai para o gabinete e explora os aparelhos, mexe em tudo, não tenhas medo! Carrega nos botões e vê o que acontece.”. Aqui a piqui pensa, “hmm… o aparelho mais pequeno que está aqui deve valer uns míseros 5 000 euros, por isso não deve haver problema…”. Então, deparo-me com o problema da discrepância entre os aparelhos “rústicos” da universidade, e com as “bombas electrónicas” ali dispostas à minha frente. A piqui que nunca teve medo de “tecnologias” desata a testar os ziliões de botões e opções e “ões” e “ões”…
Depois diziam-me coisas do género: “para ligares para números fixos carregas na tecla 0 e para telemóveis marcas o 28 e depois esperas e quando ouves bip-bip (mas na verdade o que ele disse mesmo foi pi-pi…) marcas o número de telemóvel e já está!”. Mais tarde apercebi-me que não era tão simples como parecia, além de ser incrivelmente difícil fazer uma chamada para telemóvel, o telefone não tinha um sistema sonoro muito bom, fazendo-me passar por surda, “Estou sim? Boa tarde,-… Estou?... Sim? Fala da-… Como? Ah! Sim…” enfim… Entretanto, deparo-me com a discrepância entre a qualidade dos aparelhos do gabinete e o mísero telefone que me confiaram…
Além de tudo isso, no meu local de trabalho é exigido o uso de uma bata. Bata essa que supostamente me teria sido fornecida… Mas não! Esqueceram-se… E o que é que uma pessoa que não tem bata faz num local em que é obrigado a usá-la? Nada! Rigorosamente nada.
Passei o resto do tempo a olhar para uma miúda vestida à Floribela versão Marilyn Manson, a tremer de frio por causa do ar condicionado, e a rogar mil pragas ao gajo que decidiu regular a temperatura, qual Homem das Neves na Idade do Gelo…
O que vale é que tenho um amigo com piscina, senão estava tudo lixado!

16 de julho de 2007

A Waltz for a Night

Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my thoughts
Let me sing you a waltz
About this one night stand

You were for me that night
Everything I always dreamt of in life
But now you're gone
You are far gone
All the way to your island of rain

It was for you just a one night thing
But you were much more to me
Just so you know

I don't care what they say
I know what you meant for me that day
I just wanted another try
I just wanted another night
Even if it doesn't seem quite right
You meant for me much more
Than anyone I've met before

One single night with you little Jesse
Is worth a thousand with anybody

I have no bitterness, my sweet
I'll never forget this one night thing
Even tomorrow, another arms
My heart will stay yours until I die

Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my blues
Let me sing you a waltz
About this lovely one night stand

Julie Delpy no delicioso filme "Before Sunset"

14 de julho de 2007

A merda é a mesma,

as moscas é que mudam.

12 de julho de 2007

Lost In Translation

Hoje revi o Lost In Translation. O filme, as cenas cortadas, as filmagens de bastidores, os extras todos! E mais! Com legendas em Inglês para deficientes auditivos... Acreditem em mim: é muito melhor. Em geral, as legendas em português (e se quiserem pior: em brasileiro!) têm um grave problema que, por acaso, coincide precisamente com o título deste filme. Entretanto, não podia deixar de registar aqui um diálogo delicioso, que entre outros, acabou por se destacar mais, entre o grande Bill Murray (Bob) e a castiça Scarlett Johansson (Charlotte). Enjoy...




-You know, the first time I saw you, you were wearing a tuxedo at the bar. You were very dashing. Charlotte
-I liked the mascara. But the first time I saw you was in the elevator. Bob
-Really?
-You don't remember?
-Mmm. I guess you do kind of blend in, huh? [ Chuckles ]. Did I scowl at you?
-No, you smiled.
-I did?
-Yes, it was a complete accident. A freak. I haven't seen it since. Just that one time. Like that, but bigger. Bigger. Yeah, big-- big--. Well, not that big.[ Chuckles ]
(…)
-Why do they switch the "R"s and the "L "s here? Charlotte
-Oh, for yuks. You know, just to mix it up. They have to amuse themselves. 'Cause we're not makin' 'em laugh. [ Chuckles ] Bob
-Let's never come here again, 'cause it would never be as much fun.
-Whatever you say. You're the boss.
(…)
-I'm stuck. Does it get easier? Charlotte
-No. Yes. It gets easier. Bob
-Oh, yeah? Look at you.
-Thanks. [ Chuckles ]. The more you know who you are, and what you want, the less you let... things upset you.
-Yeah. I just don't know what I'm supposed to be. You know? I tried being a writer, but... I hate what I write. And I tried taking pictures, but they're so mediocre, you know. Every girl goes through a photography phase. You know, like horses? You know? Take, uh, dumb pictures of your feet.
-You'll figure that out. I'm not worried about you. Keep writing.
-But I'm so mean.
-Mean's okay.
-Yeah? What about marriage? Does that get easier?
-That's hard.
-We used to have a lot of fun. Lydia would come with me when I made the movies, and we would laugh about it all. Now she doesn't want to leave the kids, and... she doesn't... need me to be there. The kids miss me, but they're fine.
-It gets a whole lot more complicated when you have kids.
-Yeah. It's scary. It's the most terrifying day of your life the day the first one is born.
-Yeah? Nobody ever tells you that.
-Your life, as you know it, is gone. Never to return. But they learn how to walk, and they learn how to talk, and... and you want to be with them. And they turn out to be the most... delightful people... you will ever meet in your life.
-Hmm, that's nice.
-Where'd you grow up?
-Um, I grew up in New York, and I moved to Los Angeles when John and I got married. But it's so different there.
-Yeah, I know.
-John thinks I'm so snotty. [ Chuckles ]
-Hmm... You're not hopeless.

9 de julho de 2007

Vamos, Nina

No te avergüences, Nina, no,
¿de qué vergüenza entenderá
el mala bestia de ese bar
que te pateó y que te escupió?
Acariciale el piojo al perro
que tenés, y le decís
que entre la mugre te encontraste
un hombro amigo en que morir.

Abrí las cuencas de los ojos,
bien abiertas y arrojá
de un solo vómito brutal
tu soledad y ¡vamonós!
Mirá que linda estás
con tu ternura en pie,
y no estás sola, Nina, no,
yo estoy con vos.

Nina,
no llorés, mordete los ojos,
cachame las manos bien fuerte,
si viene la muerte, mangala:
que pague, de prepo y de a uno
los días felices que debe.

Mi Nina,
con cabezas de paloma
correremos hasta nunca
por la tumba de los pájaros mendigos
que encontraron la salida
y saldremos de la roña
dandos saltos, transparentes,
inmortales, ¡vamos, Nina!¡

Vamos, Nina!,
corramos, mi vieja, corramos.
Si el viento te enreda el harapo,
si el frío te llaga las piernas,
no aflojes ni pares ni vuelvas,
ni esperes, gimas, corre, ¡corré!

No te avergüences Nina, no,
que nadie sabe bien quién es.
Mirá si soy el dios capaz
de hacer mil panes con un pan,
y vos la loca que una vez
roció sus trapos con alcohol,
y se incendió para no ver
los presidentes que se van.

Mirame, hermana, no temblés,
no tengas miedo de morir,
los vivos oyen a sus muertos
y hoy, por fin, nos van a oír.
Mirá qué linda está
tu dignidad en pie,
y no estás sola, Nina, no,
yo estoy con vos.

¡Vamos, Nina!, ¡vamos, Nina!,
no aflojes, ni pares, ni vuelvas,
ni esperes, ni gimas, corré, ¡corré!

Astor Piazzola

Daquelas Noites

Tudo começou no Coliseu do Porto com Pat Metheny na guitarra e Brad Mehldau no piano, nos primeiros temas. Estas duas lendas do Jazz transmitiram uma profunda ligação e harmonia através dos seus instrumentos, como se o som de um, se embalasse no outro. Mais tarde, o contrabaixista Larry Grenadier e o grande baterista e percussionista Jeff Ballard, completaram o quarteto, e juntos, tocaram em palco por cerca de duas horas e meia. Três vezes o público os chamou, três músicas “a mais” foram tocadas. “The Sound Of Water” foi um tema particularmente especial, por ter sido tocado com uma guitarra de 42 cordas. A sua sonoridade aproxima-se da de uma harpa e sugere quedas de água. Foi incrível sentir a enorme plateia emudecer e deixar-se envolver pelo dedilhar de um dos melhores músicos de Jazz norte-americanos.
Depois do Jazz, seguiu-se uma passagem pelo Contagiarte, para dar uma espreitadela nos desenhos do Mr. P que lá estão espalhados pelas paredes. O nome da exposição é “No Heart Feelings” embora não esteja explícito em lado nenhum…Parabéns Mr. P e não te preocupes, porque eu acredito na tua sanidade mental.
Ainda com a energia no auge, demos um saltinho no Plano B onde encontrei as pessoas que estava menos à espera de encontrar. Vizinhos de infância, amigos do curso, tudo e mais alguma coisa. Muitos abraços e beijinhos e muitas saudades dilaceradas.
Para finalizar, já em casela e mesmo mesmo antes de adormecer, o zapping parou na RTP África com o documentário “Não me obriguem a vir para a rua gritar”, sobre a vida e obra desse grande Zeca Afonso. E que bem que me soube…

7 de julho de 2007

Dúvida

A dúvida é uma alternância entre um “sim” e um “não”, uma impossibilidade de nos “inclinarmos” para um dos termos da alternativa sem que o outro venha a disputar a primazia. Pois o “sim” e o “não” prontamente aceites como definitivos, eliminam imediatamente a dúvida. A mente em dúvida oscila entre um termo e o outro sem encontrar um ponto de equilíbrio, já que um termo é o oposto do outro, e não consegue “inclinar-se” mais para um, sem negar o outro. Quando isso acontece, já não está em dúvida! No instante em que afirma ou nega, já não está em dúvida. Mas a dúvida não acaba enquanto não responde a um requisito fundamental de veracidade…
Não posso duvidar dos meus conhecimentos sem os afirmar repetidamente, num ciclo vicioso de afirmações e negações sucessivas. Mas “não se pode negar sem afirmar a negação, sem afirmar portanto alguma coisa”. Então, aquilo que constato, é que há uma impossibilidade de descobrir o que quer que seja por uma via em cuja definição está contida uma autocontradição…
Descartes diz-nos: “Não posso duvidar de que duvido no instante em que duvido”, ou seja, a única certeza que tem, é que duvida no instante em que não tem a certeza!
A dúvida é uma dúvida por si só… Alguém me ajude nesta (auto) definição…

6 de julho de 2007

Tudo bem

Tudo bem
Como exercício de prosa
Admitamos que não está mal
Eu podia ser mais crítico
Mas não me apetece
Não quero ser original

Tudo bem
Se me perguntas porquê
Eu respondo que é igual
Sou um observador comum
Com tendência para o compromisso
Tenho visão bilateral

E ninguém me pode negar o prazer da tua companhia
Sou o teu amigo público
Número não sei quantos milhões e mais alguns mil
Sou teu fã de nascença
Em permanente sintonia
Sempre pronto para tudo
Do mais sublime ao mais vil

Tudo bem
Aqui ninguém me conhece
Vou ser quem eu quiser
Vou seguir a minha pista
Abraçando o meu par
Fechar os olhos e ver

Tudo bem
Eu vejo alguém acordado
Vejo alguém a sonhar
Alguém voando na rua
Alguém andando no mar
E vejo alguém a duvidar

E ninguém me pode negar o prazer da tua companhia
Sou o teu amigo público
Número não sei quantos milhões e mais alguns mil
Sou teu fã de nascença
Em permanente sintonia
Sempre pronto para tudo
Do mais sublime ao mais vil

Tudo bem
A chama tem que existir
Faça chuva ou faça sol
Nas mais sinistras mentes
Nos corpos mais angelicais
Nas rendas do meu lençol

Tudo bem
Os morangos estão lá
Para quem os souber encontrar
Eternamente vermelhos
Despidos e sujos
Sem nada a declarar

E ninguém me pode negar o prazer da tua companhia
Sou o teu amigo público
Número não sei quantos milhões e mais alguns mil
Sou teu fã de nascença
Em permanente sintonia
Sempre pronto para tudo
Do mais sublime ao mais vil
Sempre pronto para tudo
Do mais sublime ao mais vil.

Tudo Bem (Os Morangos Estão Lá) , Jorge Palma

4 de julho de 2007

3 de julho de 2007

Compreender

foto by missEd
...a ventura de que o chão, sobre o qual estás parado, não pode ser maior do que os dois pés que o cobrem.

1 de julho de 2007

Justice - D.A.N.C.E.

Eeny Meeny Miny Moe



Gostava de fazer um "forward" rapidinho na minha vida, só até amanhã...

Depois ponho um longo "pause" em dia de sol e boa praia.






foto by missEd

26 de junho de 2007

Hable con ella

Dicen que por las noches
No más se le iba en puro llorar
Dicen que no comia
No mas se le iba en puro tomar
Juran que el mismo cielo
Se extremecia al oir su llanto
Como sufria por ella
Que hasta en su muerte la fue llamando

Ay, ay, ay, ay, ay
Cantaba
Ay, ay, ay, ay, ay
Gemia
Ay, ay, ay, ay, ay
Cantaba
De pasion mortal Moria

Que una paloma triste
Muy de mañana le va a cantar
A la casita sola
Con las puertitas de par en par
Juran que esa paloma
No es otra cosa mas que su alma
Que todavia la espera
A que regrese la desdichada
Cucurrucucu
Paloma
Cucurrucucu
No llores
Las piedras jamás
Paloma
Que van a saber
De amores

21 Grams

How many times do we die?... They say we all lose 21 grams... at the exact moment of our death.
Everyone.
And how much fits into 21 grams?... How much is lost?... When do we lose 21 grams?... How much goes with them?... How much is gained?... How much is gained?...
Twenty-one grams.
The weight of a stack of five nickels.
The weight of a hummingbird.
A chocolate bar.
How much did 21 grams weigh?

"Intervalo"


Ando com "formiguinhas" nas mãos para engatar a primeira, e nos pés para carregar no acelerador, para, no dia 28 de Junho às 23:30, me sentar na primeira mesa livre que encontrar na Tertúlia Castelense (isto, desde que recebi a newsletter, ainda no mês passado!!).
Perguntam vocês: "Mas porquê?"
Pois eu respondo que a causa de tal ansiedade é o espectáculo "Intervalo" , em que o criativo mágico e cómico Helder Guimarães, nos presenteia com os seus caricatos e hilariantes números de magia. Assisti ao "Incompleto - Parte I" e foi bem além das minhas expectativas. Fiquei particularmente admirada com o "à vontade" do artista e a sua grande capacidade de interacção com o público de uma forma dinâmica e no mínimo, encantadora. Agora imaginem... Não vou fazer (mais) publicidade porque os links aqui indicados, já o fazem (e muito bem). Apenas tenho a comunicar ao Sr. Helder Guimarães que me aguarde porque eu vou literalmente "sit back, relax and enjoy de show..."

25 de junho de 2007

My sweet Diva...

You made me leave my happy home
You took my love and now you're gone
Since I fell for you

Love brings such misery and pain
I guess I'll never be the same
Since I fell for you

It's so bad, It's so sad
I'm in love with you
You love me, then you snub me
But what can I do
I'm still in love with you

I guess I'll never see the light
I get the blues 'bout every night
Since I fell for you
Since I fell for you

"Since I Fell For You", Sugar in my Bowl, Nina Simone (1933-2003)

23 de junho de 2007

São João


...porque é que hoje não me deste um balão para eu brincar?...

I AM THE DOOR




Life...

...it's a sexually transmitted disease.

21 de junho de 2007

20 de junho de 2007

Seu Jorge "Cru"



Este é o cd"zaço" que me tem acompanhado na última semana. Com temas como "Fiore De La Citta", "Don't", "Sao Gonça", "Bola De Meia" e "Una Mujer ", as atribuladas viagens de um verdadeiro R5 tornam-se deliciosas e quanto mais duradouras, melhor! Isto porque, quando acaba um tema, o seguinte nunca se encaixa na secção "não me apetece ouvir esta agora...". O disco gira sempre e em perfeita rotação. Este é um senhor com uma voz incrível e cheia de personalidade, que transpira musicalidade e bem estar. Senhor que aspira à evolução do samba, que pretende "mostrar para onde o ritmo ainda pode seguir."

Maré de Sorte

foto by missEd


Ponto nr. 1 - Tive uma óptima proposta de emprego


Ponto nr. 2 - Ganhei ao jogo


Ponto nr. 3 - Não tenho ninguém, mas também não sofro por ninguém





Quando a esmola é grande, o pobre desconfia...


O que virá aí?...

17 de junho de 2007

Eco

foto by missEd

Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim. Porque isso me era tão difícil?

Para relatar a história da minha vida, devo recuar alguns anos. Se me fosse possível, deveria retroceder ainda mais, à primeira infância, ou mais ainda, aos primórdios da minha ascendência.
Os poetas, quando escrevem novelas, costumam proceder como se fossem Deus e pudessem abranger com o olhar toda a história de uma vida humana, compreendendo-a e expondo-a como se o próprio Deus a relatasse, sem nenhum véu, revelando a cada instante a sua essência mais íntima.
Não posso agir assim, e os próprios poetas não o conseguem. A minha história é, no entanto, para mim, mais importante do que a de qualquer outro autor, pois é a minha própria história, e a de um homem – não a de um personagem inventado, possível ou inexistente em qualquer outra forma, mas a de um homem real, único e vivo.
Hoje sabe-se cada vez menos o que isso significa, o que seja um homem realmente vivo, e que se entrega à morte sob o fogo da metralha a milhares de homens, cada um dos quais constitui um ensaio único e precioso da Natureza. Se não passássemos de indivíduos isolados, se cada um de nós pudesse realmente ser varrido por uma bala de fuzil, não haveria sentido algum em relatar histórias.
Mas cada homem não é apenas ele mesmo; é também um ponto único, singularíssimo, sempre importante e peculiar, no qual os fenómenos do mundo se cruzam daquela forma uma só vez e nunca mais. Assim, a história de cada homem é essencial, eterna e divina, e cada homem, ao viver em alguma parte e cumprir os ditames da Natureza, é algo de maravilhoso e digno de toda a atenção. Em cada um dos seres humanos o espírito adquiriu forma, em cada um deles a criatura padece, em cada qual é crucificado um Redentor.
Poucos são hoje os que sabem o que seja um homem. Muitos o sentem, e por senti-lo, morrem mais aliviados, como eu próprio, se conseguir terminar este relato. Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que o meu sangue murmura em mim. Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e a sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir a si mesmos.
A vida de todo o ser humano é um caminho em direcção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro. Homem algum chegou a ser completamente ele mesmo; mas todos aspiram a sê-lo, uns obscura, outros mais claramente, cada qual como pode. Todos levam consigo, até ao fim, viscosidades e cascas de ovo de um mundo primitivo. Há os que não chegam jamais a ser homens, e continuam a ser rãs, esquilos ou formigas. Outros que são homens da cintura para cima e peixes da cintura para baixo. Mas, cada um deles é um impulso em direcção ao ser. Todos temos origens comuns: as mães; todos proviemos do mesmo abismo, mas cada um – resultado de uma tentativa ou de um impulso inicial – tende a seu próprio fim. Assim é que podemos entender-nos uns aos outros, mas somente a si mesmo pode cada um interpretar-se.

Herman Hesse (1877-1962), in “Demian”