30 de agosto de 2007

Loucos e Santos



Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquetipo qualquer, mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não me interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos.

Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles nao quero respostas, quero o meu avesso.

Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco.

Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.

Não quero só o seu ombro ou colo, quero também a sua maior alegria.

Amigo que nao ri comigo, nao sabe sofrer comigo.

Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.

Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia nao desapareça.

Nao quero amigos adultos nem chatos.

Quero-os metade infância e metade velhice.

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.

Pois vendo-os loucos e santos, disparatados e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde (1854-1900)

2 comentários:

Mushi disse...

Ah la maison verte! O perfeito retiro :)

missEd disse...

:)