Ignacio Ferreras
21 de setembro de 2007
20 de setembro de 2007
Saudade
De um período, de um sítio, de um jogo, de um ritual, de uma tentativa fotográfica, de um grupo de pessoas incríveis, de uma caipirinha, de um puzzle, do tempo livre, de uma Paz por vezes invadida, de uma história que nunca se vai repetir mas que sempre vai perpetuar.
Foram laços que nunca vão ser cortados.
Foram beijos que nunca mais vão ser dados.
Foram beijos que nunca mais vão ser dados.
Foram amigos que por magnetismo se atrairam.
Sítios que pela beleza se visitaram.
Música... A música levada à exaustão.
O bom viver levado ao clímax.
A vida na sua mais subtil perfeição.
19 de setembro de 2007
Seria algo desesperador, se caminhasses numa planície, com a agradável sensação de estar a avançar, quando na verdade retrocedias. Como porém escalavas uma encosta abrupta, bastante inclinada, conforme por ti mesmo vista de baixo, a causa do retrocesso bem poderia ser devido à disposição do terreno. Não deves desesperar.
Franz Kafka (1883-1924)
Franz Kafka (1883-1924)
18 de setembro de 2007
17 de setembro de 2007
Pioravante marche
Aquilo levanta-se. O quê? Sim. Dizer que se levanta e fica de pé. Teve de se levantar por fim e ficar de pé. Dizer ossos. Ossos nenhuns mas dizer ossos. Dizer chão. Chão nenhum mas dizer chão. De modo a dizer dor. Mente nenhuma e haver dor? Dizer que sim que os ossos podem doer até não haver alternativa senão levantar. Dalgum modo levantar e ficar de pé. Ou melhor pior restos. Dizer restos de mente onde nenhuns para permitir a dor. Dor dos ossos até não haver alternativa senão levantar e ficar de pé. Dalgum modo levantar. Dalgum modo ficar de pé. Restos de mente onde nenhuns só para a dor poder haver. Aqui dos ossos. Outros exemplos se preciso for. De dor. Alívio de. Mudança de.
Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Mas nunca tão falhada. Pior falhada. Com cuidado nunca pior falhada.
Luz obscura origem desconhecida. Sabe-se o mínimo. Não não se saber nada. Seria esperar de mais. Quando muito o mínimo dos mínimos. Maximamente menos que o mínimo dos mínimos.
Não haver alternativa senão ficar de pé. Dalgum modo levantar e ficar de pé. Dalgum modo ficar de pé. Ou isso ou gemer. O gemido que de longe tão longo vem. Não. Gemido nenhum. Dor simplesmente. Levantado simplesmente. Um tempo para tentar como. Tentar ver. Tentar dizer. Como a princípio esteve deitado. Depois de algum modo se ajoelhou. Pouco a pouco. E em diante a partir daí. Pouco a pouco. Até se levantar por fim. Não agora. Agora falhar melhor pior.
Um outro. Dizer um outro. Cabeça afundada em mãos paralisadas. Vértice vertical. Olhos cerrados. Sede de tudo. Embrionária de tudo.
Isto não tem futuro. Infelizmente tem.
Samuel Beckett (1906-1989)
Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Mas nunca tão falhada. Pior falhada. Com cuidado nunca pior falhada.
Luz obscura origem desconhecida. Sabe-se o mínimo. Não não se saber nada. Seria esperar de mais. Quando muito o mínimo dos mínimos. Maximamente menos que o mínimo dos mínimos.
Não haver alternativa senão ficar de pé. Dalgum modo levantar e ficar de pé. Dalgum modo ficar de pé. Ou isso ou gemer. O gemido que de longe tão longo vem. Não. Gemido nenhum. Dor simplesmente. Levantado simplesmente. Um tempo para tentar como. Tentar ver. Tentar dizer. Como a princípio esteve deitado. Depois de algum modo se ajoelhou. Pouco a pouco. E em diante a partir daí. Pouco a pouco. Até se levantar por fim. Não agora. Agora falhar melhor pior.
Um outro. Dizer um outro. Cabeça afundada em mãos paralisadas. Vértice vertical. Olhos cerrados. Sede de tudo. Embrionária de tudo.
Isto não tem futuro. Infelizmente tem.
Samuel Beckett (1906-1989)
15 de setembro de 2007
11 de setembro de 2007
10 de setembro de 2007
Quem comeu...
... a mousse de chocolate que ESTAVA no frigorífico hoje à hora do almoço???
... dias complicados...
... dias complicados...
7 de setembro de 2007
O Caderno Vermelho - 6
Na mesma ordem de ideias, embora abrangendo um período de tempo muito curto (alguns meses em vez de vinte anos), um outro amigo, R., falou-me de um livro marginal que ele tentava localizar sem sucesso, esquadrinhando livrarias e catálogos à procura daquilo que devia ser uma obra admirável que ele ansiava ler; e contou-me como, uma tarde em que fazia o seu caminho pelo centro da cidade, tomou um atalho para a Grand Central Station, subiu o lanço de escadas que levava à Vanderbilt Avenue, e viu de repente uma jovem ao lado do friso de mármore com um livro à frente dela: o mesmo livro que ele tão desesperadamente tentava encontrar.Embora não tivesse por hábito dirigir a palavra a desconhecidos, R. estava demasiado atordoado pela coincidência para ficar calado.
«Acredite ou não», disse à jovem, «tenho andado à procura desse livro por toda a parte».
«É maravilhoso», respondeu a jovem, «acabei agora mesmo de o ler.»
«Sabe dizer-me onde poderei encontrar outro exemplar?» perguntou R. «Não consigo explicar-lhe o que isso significaria para mim.»
«Este é para si» respondeu a mulher.
«Mas é seu» replicou R.
«Era meu,» disse a mulher «mas agora já acabei de o ler. Vim aqui hoje para lho dar.»
Paul Auster (1947)
30 de agosto de 2007
Loucos e Santos
Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquetipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não me interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles nao quero respostas, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o seu ombro ou colo, quero também a sua maior alegria.
Amigo que nao ri comigo, nao sabe sofrer comigo.
Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia nao desapareça.
Nao quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois vendo-os loucos e santos, disparatados e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde (1854-1900)
25 de agosto de 2007
Parabéns miss J.
Fez ontem 24 anos que boneca nasceu e 1 ano que a boneca partiu para o Japão. Felizmente já está quase quase a chegar e espero que pronta e a postos para receber uma larga dose de mimo!
23 de agosto de 2007
Ultimatum Futurista
ÀS GERAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉC. XXI
Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os "botas de elástico"!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!
Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os "botas de elástico"!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!
J o s é d e A l m a d a N e g r e i r o s
P O E T A
F U T U R I S T A
E
T U D O
P O E T A
F U T U R I S T A
E
T U D O
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo!
O país mais selvagem de todas as Áfricas!
O exílio dos degredados e dos indiferentes!
A África reclusa dos europeus!
O entulho das desvantagens e dos sobejos!
Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Dantas! Morra! Pim!
José de Almada Negreiros
P O E T A DE D'ORPHEU
F U T U R I S T A
E
T U D O
1915
in Manifesto anti-Dantas - Basta pum basta
Micas
Feliz ou infelizmente (ainda hoje não sei) vieram em meu auxílio. Uma mulher, a miss V., "miss" porque já era divorciada (e quem precisa de saber isso?) e tinha "a filhota no carro sozinha à espera", incutindo-me a missão de salvar o animal, assegurando-me que posteriormente lhe "arranjaria um lar".
Então missEd que nunca lidou com gatos, nunca confiou em gatos, nem nunca lhes passou cartão, embrulha o animal na sua bata e parte em busca do "veterinário aberto às 20h"... Lá passou quatro dias e quatro noites.
De cada vez que entrei na clínica ia com a certeza de que ia pedir para acabar com aquele sofrimento, mas o incrível é que sempre que eu lá chegava o animal melhorava um pouquinho. E sabem que mais? O amor e o carinho curam sim! A gata recuperou totalmente, afeiçoou-se a mim e posteriormente aos meus (porque a miss V. obviamente que se cortou), já tem um namorado, um gato preto enorme chamado Fritz, trepa bogambílias, é uma miss à maneira. Eu pelo outro lado, curei-me das alergias. E esta, hein?
20 de agosto de 2007
1095
o verdugo está cabisbaixo sumido em mui profundas especulações o taxidermista florião pele de coelho ex-aluno dos jesuítas leu em voz alta uma das conclusões da informação estatística do departamento de biometria do instituto de saúde mental para os ee. uu. o adúltero que vive com a esposa é menos propenso a precisar de tratamento clínico psiquiátrico do que o adúltero que vive sozinho e não tem quem lhe seque as costas ao sair do duche o homem é animal muito delicado e frágil e a mulher obstina-se em idealizá-lo é uma velada forma de homicídio
in Ofício de Trevas 5, 1973, Camilo José Cela (1916-2002)
in Ofício de Trevas 5, 1973, Camilo José Cela (1916-2002)
18 de agosto de 2007
CD "móbile" do mês
Nitin Sawhney - Beyond Skin As músicas de Beyhond Skin passeiam-se pelo hip-hop, étnico, drum'n'bass, r&b/jazz, acompanhadas por grandes vozes. Um medley contemporâneo lindamente conjugado com boas letras.
Para bom entendedor, meia palavra basta...
17 de agosto de 2007
Every existing thing
is born without reason,
prolongs itself out of weakness,
and dies by chance
in Nausea, New York, 1964, Jean-Paul Sartre (1905-1980)
prolongs itself out of weakness,
and dies by chance
in Nausea, New York, 1964, Jean-Paul Sartre (1905-1980)
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