30 de agosto de 2007

Loucos e Santos



Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquetipo qualquer, mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não me interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos.

Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles nao quero respostas, quero o meu avesso.

Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco.

Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.

Não quero só o seu ombro ou colo, quero também a sua maior alegria.

Amigo que nao ri comigo, nao sabe sofrer comigo.

Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.

Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia nao desapareça.

Nao quero amigos adultos nem chatos.

Quero-os metade infância e metade velhice.

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.

Pois vendo-os loucos e santos, disparatados e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde (1854-1900)

25 de agosto de 2007

Parabéns miss J.

Fez ontem 24 anos que boneca nasceu e 1 ano que a boneca partiu para o Japão. Felizmente já está quase quase a chegar e espero que pronta e a postos para receber uma larga dose de mimo!

I'm a charity fucker

Stowaways

23 de agosto de 2007

Ultimatum Futurista

ÀS GERAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉC. XXI
Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os "botas de elástico"!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!


J o s é d e A l m a d a N e g r e i r o s

P O E T A
F U T U R I S T A
E
T U D O
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo!
O país mais selvagem de todas as Áfricas!
O exílio dos degredados e dos indiferentes!
A África reclusa dos europeus!
O entulho das desvantagens e dos sobejos!
Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Dantas! Morra! Pim!
José de Almada Negreiros
P O E T A DE D'ORPHEU
F U T U R I S T A
E
T U D O
1915
in Manifesto anti-Dantas - Basta pum basta

Micas

A Micas caiu no percurso da minha vida no dia 10 de Janeiro de 2007. Não apareceu a voar, como é óbvio, mas foi atropelada. Saía eu do meu trabalho, ansiozinha por chegar a casa, quando vejo o animal parado mesmo no meio da via de rodagem da Avenida da Boavista, e decido parar, em plena hora de ponta, já de noite e com um frio de rachar! Quatro piscas, pára tudo, que aqui a Super missEd vai tentar tirar o animal da estrada! É certo que nessa altura ainda não me tinha apercebido das condições em que a pobre critura estava, porque mal parei o carro, o animal rastejou para trás da roda da frente, dificultando ainda mais a minha tarefa. É que além de tudo, tenho uma bruta de uma alergia ao pêlo de gato! Ou seja, um trânsito descomunal, um tempo de bater os dentes, um gato por baixo do carro e a iminência de um ataque de espirros, olhos vermelhos e comichões por todo o lado... Not good...
Feliz ou infelizmente (ainda hoje não sei) vieram em meu auxílio. Uma mulher, a miss V., "miss" porque já era divorciada (e quem precisa de saber isso?) e tinha "a filhota no carro sozinha à espera", incutindo-me a missão de salvar o animal, assegurando-me que posteriormente lhe "arranjaria um lar".
Então missEd que nunca lidou com gatos, nunca confiou em gatos, nem nunca lhes passou cartão, embrulha o animal na sua bata e parte em busca do "veterinário aberto às 20h"... Lá passou quatro dias e quatro noites.
De cada vez que entrei na clínica ia com a certeza de que ia pedir para acabar com aquele sofrimento, mas o incrível é que sempre que eu lá chegava o animal melhorava um pouquinho. E sabem que mais? O amor e o carinho curam sim! A gata recuperou totalmente, afeiçoou-se a mim e posteriormente aos meus (porque a miss V. obviamente que se cortou), já tem um namorado, um gato preto enorme chamado Fritz, trepa bogambílias, é uma miss à maneira. Eu pelo outro lado, curei-me das alergias. E esta, hein?

20 de agosto de 2007

1095

o verdugo está cabisbaixo sumido em mui profundas especulações o taxidermista florião pele de coelho ex-aluno dos jesuítas leu em voz alta uma das conclusões da informação estatística do departamento de biometria do instituto de saúde mental para os ee. uu. o adúltero que vive com a esposa é menos propenso a precisar de tratamento clínico psiquiátrico do que o adúltero que vive sozinho e não tem quem lhe seque as costas ao sair do duche o homem é animal muito delicado e frágil e a mulher obstina-se em idealizá-lo é uma velada forma de homicídio

in Ofício de Trevas 5, 1973, Camilo José Cela (1916-2002)

18 de agosto de 2007

CD "móbile" do mês

Nitin Sawhney - Beyond Skin

As músicas de Beyhond Skin passeiam-se pelo hip-hop, étnico, drum'n'bass, r&b/jazz, acompanhadas por grandes vozes. Um medley contemporâneo lindamente conjugado com boas letras.
Para bom entendedor, meia palavra basta...

17 de agosto de 2007

Every existing thing

is born without reason,
prolongs itself out of weakness,
and dies by chance

in Nausea, New York, 1964, Jean-Paul Sartre (1905-1980)

12 de agosto de 2007

Coca Cola

Os PARABÉNS ao meu maninho, que foi o 2º melhor a nível nacional, em termos de quantidade e volume de promoções da Coca Cola... Já cheira a promoção e pelos vistos a uma viagem a Nova Iorque para duas pessoas...
Quem pode, pode!

You give a little love and it all comes back tou you, la la laa la-la la la laa

8 de agosto de 2007

D-O-M-I-N-G-U-E-I-R-O-S toda a semana

Hoje para contrariar, fui à prainha. Cheia de vontade, visto o biquini, calço o chinelinho, pego na toalha, no guarda-sol e no chapéu. Pé no acelerador e siga! Quando de repente, sou obrigada a parar por uma multidão de gente e de carros até perder de vista... Ocorre-me "Pois é... Estamos em pleno Agosto!".
Há várias razões para a minha "perplexidão". Em primeiro lugar, o tempo chuvoso que esteve nos meses de Junho e Julho... Andava tudo maluco com as mudanças de temperatura! O "sol" e a "chuva" devem ter feito qualquer tipo de aposta ou brincadeira, para ver que tipo de efeitos iriam surtir nas pessoas. "'Bora lá fazer um braço de ferro" ou um jogo de setas ou um joguinho de poker. Quem perder, amanha trabalha! E o povo que se lixe...
Depois, uma pessoa começa a trabalhar, e perde completa noção de estar num período (e clima) em que normalmente estaria de férias... É que nem nos dias da semana se safa! No mês de Agosto, simplesmente não há dias úteis na praia (nem em lado nenhum). É sempre fim-de-semana, portanto há sempre domingueiros.
É muito bonito viver perto da praia, mas "raisparta" os domingueiros e a velocidade inferior a 50 Km/h! Não se admite que leve 45 minutos a percorrer um caminho que, por norma, se faz em 10! Adoro o Verão, adoro a praia e não sou xenófoba, mas é mesmo preciso aclamar a santidade da paciência para aturar tal fenómeno!!
Enquanto isso, vemo-nos no Palácio de Cristal ou no Parque da Lavandeira e aí sim, "fica tudo bem com as pessoas"!

7 de agosto de 2007

6 de agosto de 2007

Ricardo Leite na Tertúlia Castelense

Não podia deixar de revelar esta pérola que encontrei no you tube! Eu estive lá :)

Life On Mars

Quando as coisas do coração
Não conseguem compreender
Minha mente não faz questão
E nem tem forças para obedecer
Quantos sonhos já destruí
E deixei escapar das mãos
Se o futuro é se permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor, não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte

Então, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida
Então vem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars

Quando coisas do coração
Não conseguem compreender
Ou que a mente não faz questão
Nem tem forças para obedecer
Quantos sonhos já destruí
E deixei escapar das mãos
Se o futuro é se permitir
Não pretendo viver em vão

Meu amor, não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em Marte

Então vem cá, me dá a sua língua
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Seu poder vem do sol
Minha medida
Então vem, vamos viver a vida
Meu bem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars

3 de agosto de 2007

2 de agosto de 2007

Salvador Dali


Sendo eu agora uma menina trabalhadora, há que aproveitar a "folga".
Nunca gostei muito da palavra "folga" (f-o-l-g-a... não soa bem e é feia) mas desconheço outro termo que melhor se adeque, já que a "folga" tem um "pré conceito" adjacente, e para mim negativo, que significa que só tens UM dia livre por semana...
(As reticências enfatizam a minha reticência em relação a este assunto...).
Quando digo ou ouço a palavra "folga" vejo, com sentimento de tortura, passar-me à frente dos olhos o slide show de todos os preciosos fins de semana pelos quais passei e que apesar de já os valorizar na altura, agora valorizo ainda mais...
Continuando... Lá fui eu aproveitar a minha "folga" que calhou exactamente na inauguração da exposição de 285 obras de Salvador Dali, no Palácio do Freixo! Recomendo a visitinha e não há desculpas para ninguém. Crianças até aos 12 anos não pagam. Clientes da CGD, estudantes e adultos com mais de 65 anos pagam 2 míseros euros. Os restantes pagam 4 euros. Dura até 4 de Novembro, entre as 10:00 e as 22:00, e de sexta a domingo (incluindo feriados) das 10:00 às 24:00. O Palácio está restaurado e bonito. No percorrer das salas, entre os desenhos, esculturas e quadros originais, podemos sempre dar uma espreitadela pelas janelas e varandinhas com vista sobre o Douro. Entre todas as esculturas houve uma ou outra que me prenderam (mais) o olhar, "Gala Grádiva", "Elefante Cósmico" e "Dragão/Cisne/Elefante". Fora das minhas expectativas, os desenhos que mais me chamaram a atenção foram algumas litografias de um total de 150, num dos trabalhos gráficos mais destacados de Salvador Dali, a "Bíblia Sagrada".
À saída fui muito bem recebida por um solzinho maravilhoso e cerca de 20 puffs coloridos preparadinhos para missEd relaxar a pernoca. Ui ca bom!

"Situações" tristes...

- Será necessário o comentário?
-...
-Bem me pareceu.



1 de agosto de 2007

Existencialismos

foto by missEd

O homem é tão somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se concebe após a existência, como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo.

in L’Existentialisme est un Humanisme, Les Éditions Nagel, Paris, 1970, Jean-Paul Sartre (1905-1980)

27 de julho de 2007

Hoje vamos todos...


... fazer o que nos der na Real Gana!!!

E a que horas?
Às 23.30...

E onde?
Não... não é no Farol! É (e como não podia deixar de ser) na Tertúlia Castelense...

Oh yeah

17 de julho de 2007

First Day

Hoje foi o meu primeiro dia de estágio. Ouvi coisas como: “hmmm!… Estamos a fazer o inventário e extremamente ocupados, vai para o gabinete e explora os aparelhos, mexe em tudo, não tenhas medo! Carrega nos botões e vê o que acontece.”. Aqui a piqui pensa, “hmm… o aparelho mais pequeno que está aqui deve valer uns míseros 5 000 euros, por isso não deve haver problema…”. Então, deparo-me com o problema da discrepância entre os aparelhos “rústicos” da universidade, e com as “bombas electrónicas” ali dispostas à minha frente. A piqui que nunca teve medo de “tecnologias” desata a testar os ziliões de botões e opções e “ões” e “ões”…
Depois diziam-me coisas do género: “para ligares para números fixos carregas na tecla 0 e para telemóveis marcas o 28 e depois esperas e quando ouves bip-bip (mas na verdade o que ele disse mesmo foi pi-pi…) marcas o número de telemóvel e já está!”. Mais tarde apercebi-me que não era tão simples como parecia, além de ser incrivelmente difícil fazer uma chamada para telemóvel, o telefone não tinha um sistema sonoro muito bom, fazendo-me passar por surda, “Estou sim? Boa tarde,-… Estou?... Sim? Fala da-… Como? Ah! Sim…” enfim… Entretanto, deparo-me com a discrepância entre a qualidade dos aparelhos do gabinete e o mísero telefone que me confiaram…
Além de tudo isso, no meu local de trabalho é exigido o uso de uma bata. Bata essa que supostamente me teria sido fornecida… Mas não! Esqueceram-se… E o que é que uma pessoa que não tem bata faz num local em que é obrigado a usá-la? Nada! Rigorosamente nada.
Passei o resto do tempo a olhar para uma miúda vestida à Floribela versão Marilyn Manson, a tremer de frio por causa do ar condicionado, e a rogar mil pragas ao gajo que decidiu regular a temperatura, qual Homem das Neves na Idade do Gelo…
O que vale é que tenho um amigo com piscina, senão estava tudo lixado!

16 de julho de 2007

A Waltz for a Night

Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my thoughts
Let me sing you a waltz
About this one night stand

You were for me that night
Everything I always dreamt of in life
But now you're gone
You are far gone
All the way to your island of rain

It was for you just a one night thing
But you were much more to me
Just so you know

I don't care what they say
I know what you meant for me that day
I just wanted another try
I just wanted another night
Even if it doesn't seem quite right
You meant for me much more
Than anyone I've met before

One single night with you little Jesse
Is worth a thousand with anybody

I have no bitterness, my sweet
I'll never forget this one night thing
Even tomorrow, another arms
My heart will stay yours until I die

Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my blues
Let me sing you a waltz
About this lovely one night stand

Julie Delpy no delicioso filme "Before Sunset"

14 de julho de 2007

A merda é a mesma,

as moscas é que mudam.

12 de julho de 2007

Lost In Translation

Hoje revi o Lost In Translation. O filme, as cenas cortadas, as filmagens de bastidores, os extras todos! E mais! Com legendas em Inglês para deficientes auditivos... Acreditem em mim: é muito melhor. Em geral, as legendas em português (e se quiserem pior: em brasileiro!) têm um grave problema que, por acaso, coincide precisamente com o título deste filme. Entretanto, não podia deixar de registar aqui um diálogo delicioso, que entre outros, acabou por se destacar mais, entre o grande Bill Murray (Bob) e a castiça Scarlett Johansson (Charlotte). Enjoy...




-You know, the first time I saw you, you were wearing a tuxedo at the bar. You were very dashing. Charlotte
-I liked the mascara. But the first time I saw you was in the elevator. Bob
-Really?
-You don't remember?
-Mmm. I guess you do kind of blend in, huh? [ Chuckles ]. Did I scowl at you?
-No, you smiled.
-I did?
-Yes, it was a complete accident. A freak. I haven't seen it since. Just that one time. Like that, but bigger. Bigger. Yeah, big-- big--. Well, not that big.[ Chuckles ]
(…)
-Why do they switch the "R"s and the "L "s here? Charlotte
-Oh, for yuks. You know, just to mix it up. They have to amuse themselves. 'Cause we're not makin' 'em laugh. [ Chuckles ] Bob
-Let's never come here again, 'cause it would never be as much fun.
-Whatever you say. You're the boss.
(…)
-I'm stuck. Does it get easier? Charlotte
-No. Yes. It gets easier. Bob
-Oh, yeah? Look at you.
-Thanks. [ Chuckles ]. The more you know who you are, and what you want, the less you let... things upset you.
-Yeah. I just don't know what I'm supposed to be. You know? I tried being a writer, but... I hate what I write. And I tried taking pictures, but they're so mediocre, you know. Every girl goes through a photography phase. You know, like horses? You know? Take, uh, dumb pictures of your feet.
-You'll figure that out. I'm not worried about you. Keep writing.
-But I'm so mean.
-Mean's okay.
-Yeah? What about marriage? Does that get easier?
-That's hard.
-We used to have a lot of fun. Lydia would come with me when I made the movies, and we would laugh about it all. Now she doesn't want to leave the kids, and... she doesn't... need me to be there. The kids miss me, but they're fine.
-It gets a whole lot more complicated when you have kids.
-Yeah. It's scary. It's the most terrifying day of your life the day the first one is born.
-Yeah? Nobody ever tells you that.
-Your life, as you know it, is gone. Never to return. But they learn how to walk, and they learn how to talk, and... and you want to be with them. And they turn out to be the most... delightful people... you will ever meet in your life.
-Hmm, that's nice.
-Where'd you grow up?
-Um, I grew up in New York, and I moved to Los Angeles when John and I got married. But it's so different there.
-Yeah, I know.
-John thinks I'm so snotty. [ Chuckles ]
-Hmm... You're not hopeless.

9 de julho de 2007

Vamos, Nina

No te avergüences, Nina, no,
¿de qué vergüenza entenderá
el mala bestia de ese bar
que te pateó y que te escupió?
Acariciale el piojo al perro
que tenés, y le decís
que entre la mugre te encontraste
un hombro amigo en que morir.

Abrí las cuencas de los ojos,
bien abiertas y arrojá
de un solo vómito brutal
tu soledad y ¡vamonós!
Mirá que linda estás
con tu ternura en pie,
y no estás sola, Nina, no,
yo estoy con vos.

Nina,
no llorés, mordete los ojos,
cachame las manos bien fuerte,
si viene la muerte, mangala:
que pague, de prepo y de a uno
los días felices que debe.

Mi Nina,
con cabezas de paloma
correremos hasta nunca
por la tumba de los pájaros mendigos
que encontraron la salida
y saldremos de la roña
dandos saltos, transparentes,
inmortales, ¡vamos, Nina!¡

Vamos, Nina!,
corramos, mi vieja, corramos.
Si el viento te enreda el harapo,
si el frío te llaga las piernas,
no aflojes ni pares ni vuelvas,
ni esperes, gimas, corre, ¡corré!

No te avergüences Nina, no,
que nadie sabe bien quién es.
Mirá si soy el dios capaz
de hacer mil panes con un pan,
y vos la loca que una vez
roció sus trapos con alcohol,
y se incendió para no ver
los presidentes que se van.

Mirame, hermana, no temblés,
no tengas miedo de morir,
los vivos oyen a sus muertos
y hoy, por fin, nos van a oír.
Mirá qué linda está
tu dignidad en pie,
y no estás sola, Nina, no,
yo estoy con vos.

¡Vamos, Nina!, ¡vamos, Nina!,
no aflojes, ni pares, ni vuelvas,
ni esperes, ni gimas, corré, ¡corré!

Astor Piazzola

Daquelas Noites

Tudo começou no Coliseu do Porto com Pat Metheny na guitarra e Brad Mehldau no piano, nos primeiros temas. Estas duas lendas do Jazz transmitiram uma profunda ligação e harmonia através dos seus instrumentos, como se o som de um, se embalasse no outro. Mais tarde, o contrabaixista Larry Grenadier e o grande baterista e percussionista Jeff Ballard, completaram o quarteto, e juntos, tocaram em palco por cerca de duas horas e meia. Três vezes o público os chamou, três músicas “a mais” foram tocadas. “The Sound Of Water” foi um tema particularmente especial, por ter sido tocado com uma guitarra de 42 cordas. A sua sonoridade aproxima-se da de uma harpa e sugere quedas de água. Foi incrível sentir a enorme plateia emudecer e deixar-se envolver pelo dedilhar de um dos melhores músicos de Jazz norte-americanos.
Depois do Jazz, seguiu-se uma passagem pelo Contagiarte, para dar uma espreitadela nos desenhos do Mr. P que lá estão espalhados pelas paredes. O nome da exposição é “No Heart Feelings” embora não esteja explícito em lado nenhum…Parabéns Mr. P e não te preocupes, porque eu acredito na tua sanidade mental.
Ainda com a energia no auge, demos um saltinho no Plano B onde encontrei as pessoas que estava menos à espera de encontrar. Vizinhos de infância, amigos do curso, tudo e mais alguma coisa. Muitos abraços e beijinhos e muitas saudades dilaceradas.
Para finalizar, já em casela e mesmo mesmo antes de adormecer, o zapping parou na RTP África com o documentário “Não me obriguem a vir para a rua gritar”, sobre a vida e obra desse grande Zeca Afonso. E que bem que me soube…

7 de julho de 2007

Dúvida

A dúvida é uma alternância entre um “sim” e um “não”, uma impossibilidade de nos “inclinarmos” para um dos termos da alternativa sem que o outro venha a disputar a primazia. Pois o “sim” e o “não” prontamente aceites como definitivos, eliminam imediatamente a dúvida. A mente em dúvida oscila entre um termo e o outro sem encontrar um ponto de equilíbrio, já que um termo é o oposto do outro, e não consegue “inclinar-se” mais para um, sem negar o outro. Quando isso acontece, já não está em dúvida! No instante em que afirma ou nega, já não está em dúvida. Mas a dúvida não acaba enquanto não responde a um requisito fundamental de veracidade…
Não posso duvidar dos meus conhecimentos sem os afirmar repetidamente, num ciclo vicioso de afirmações e negações sucessivas. Mas “não se pode negar sem afirmar a negação, sem afirmar portanto alguma coisa”. Então, aquilo que constato, é que há uma impossibilidade de descobrir o que quer que seja por uma via em cuja definição está contida uma autocontradição…
Descartes diz-nos: “Não posso duvidar de que duvido no instante em que duvido”, ou seja, a única certeza que tem, é que duvida no instante em que não tem a certeza!
A dúvida é uma dúvida por si só… Alguém me ajude nesta (auto) definição…

6 de julho de 2007

Tudo bem

Tudo bem
Como exercício de prosa
Admitamos que não está mal
Eu podia ser mais crítico
Mas não me apetece
Não quero ser original

Tudo bem
Se me perguntas porquê
Eu respondo que é igual
Sou um observador comum
Com tendência para o compromisso
Tenho visão bilateral

E ninguém me pode negar o prazer da tua companhia
Sou o teu amigo público
Número não sei quantos milhões e mais alguns mil
Sou teu fã de nascença
Em permanente sintonia
Sempre pronto para tudo
Do mais sublime ao mais vil

Tudo bem
Aqui ninguém me conhece
Vou ser quem eu quiser
Vou seguir a minha pista
Abraçando o meu par
Fechar os olhos e ver

Tudo bem
Eu vejo alguém acordado
Vejo alguém a sonhar
Alguém voando na rua
Alguém andando no mar
E vejo alguém a duvidar

E ninguém me pode negar o prazer da tua companhia
Sou o teu amigo público
Número não sei quantos milhões e mais alguns mil
Sou teu fã de nascença
Em permanente sintonia
Sempre pronto para tudo
Do mais sublime ao mais vil

Tudo bem
A chama tem que existir
Faça chuva ou faça sol
Nas mais sinistras mentes
Nos corpos mais angelicais
Nas rendas do meu lençol

Tudo bem
Os morangos estão lá
Para quem os souber encontrar
Eternamente vermelhos
Despidos e sujos
Sem nada a declarar

E ninguém me pode negar o prazer da tua companhia
Sou o teu amigo público
Número não sei quantos milhões e mais alguns mil
Sou teu fã de nascença
Em permanente sintonia
Sempre pronto para tudo
Do mais sublime ao mais vil
Sempre pronto para tudo
Do mais sublime ao mais vil.

Tudo Bem (Os Morangos Estão Lá) , Jorge Palma

4 de julho de 2007